Arte é profissão, não vocação romântica

 

Por trás de cada obra há estudo, técnica, pesquisa e trabalho árduo. No entanto, muitos artistas ainda lutam para serem reconhecidos como profissionais legítimos. Falta estrutura, regulamentação e respeito. A sociedade precisa abandonar a ideia do “artista inspirado” e enxergar o criador como agente cultural, empreendedor e trabalhador.

Talvez este seja o momento de encarar a verdade: o sistema artístico sempre operou em zonas obscuras, onde o talento é celebrado, mas raramente sustentado. E essa fragilidade se revela até nas burocracias mais básicas: o artista plástico, por exemplo, não pode se registrar como MEI em sua profissão, simplesmente porque não existe um CNAE específico para sua atividade. É como se o Estado dissesse, silenciosamente, que essa profissão não existe.

Valorizar a arte começa por valorizar quem a faz, com direitos, contratos, remuneração justa e espaço para crescer. E isso inclui reconhecer o artista como trabalhador formal, com acesso às mesmas ferramentas que qualquer outro profissional

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