Postagens

Entre o Gesto e o Silêncio

Imagem
  Há um tempo em que o trabalho parece suspenso. Não por ausência de ideias, mas por uma densidade que não se deixa traduzir. Um tempo em que o gesto hesita, como se algo o impedisse de se lançar. É nesse intervalo que me pergunto: o que representaria uma evolução do meu trabalho agora? Talvez um deslocamento — de linguagem, de suporte, de corpo. Talvez um gesto de ruptura, uma recusa ao que já foi dito. Talvez a entrada de um outro; colaborador, espectador, provocador. Ou talvez apenas o silêncio, como matéria-prima. Mas há algo que obstaculiza. E não sei se vem de dentro ou de fora. Seria uma postura pessoal frente ao trabalho? Um desejo de controle, uma exigência de sentido, um medo da irrelevância? Ou seria algo externo, que passa desavisado, o ruído institucional, a saturação de discursos, a ausência de escuta? Penso também na possibilidade de uma condição prévia ao trabalho . Um cansaço que antecede o gesto. Uma transição interna que ainda não encontrou forma. Um novo par...

Poesia inspirada em minhas obras - por Carmem Pliessnig

Imagem
 Um privilégio para poucos, uma poesia inspirada em minhas obras pela poetisa Carmem Andrea Soek Pliessnig. Só tenho a agradecer o carinho.   A BUSCA Pensativa... Observa a arte da vida Contempla detalhadamente Traços infinitos Pois a criatividade explorada Vai além da imaginação Se admira com o que vê Deslumbrante magia Desenha um mundo Mucho loco Despertando olhares Que almejam saber Qual é o mistério De incríveis momentos Realizados com desenvoltura Crescimento da alma? Presente divino? Tão espontânea Reflete a luz do seu olhar Em um rabisco E o transforma em beleza Que o interior Lança para expor O talento que jamais... Jamais... Se contém em manter-se Isolado   Carmem Andrea Soek Pliessnig

Ainda sobre a série "Per me"

Imagem
  Aqui, o coração é real. Anatomia e emoção se fundem em uma imagem que não idealiza, mas honra. O fundo escuro faz com que o vermelho brilhe como resistência. As frases: "coração de mãe", "amor sem fim", "coração valente";  revelam um amor que não se exaure, mesmo diante da dor. Há também uma busca: "onde estou", "onde tu te", como se esse coração estivesse chamando por alguém que partiu, ou por mim mesma. Todas usam o coração como símbolo central, mas cada uma o trata de forma distinta — ora como metáfora poética, ora como símbolo de luto, ora como órgão de coragem e afeto. E o uso de texto manuscrito transmite um toque íntimo, como se fossem páginas de um diário emocional.

Série "Per me"

Imagem
"Per me" é uma travessia íntima pelo território do afeto. Nesta série, transformo o coração (símbolo universal e orgânico) em linguagem plástica, poética e visceral. Cada obra pulsa com camadas de tinta, texto e silêncio, revelando não apenas o que sinto, mas como. A presença de palavras manuscritas, ora em espanhol, ora em português, confere à série um tom confessional, como se estivéssemos diante de cartas não enviadas, diários rasgados ou orações sussurradas. O coração, aqui, não é apenas órgão ou metáfora: é personagem, testemunha e altar. "Per me" não é sobre o amor idealizado. É sobre o amor vivido, com seus tremores, lutos e bravuras. É uma série que não pede explicação, mas escuta. Que não se impõe, mas se oferece. Que não fala sobre o outro, mas sobre o que o outro provoca em nós.

Arte é profissão, não vocação romântica

Imagem
  Por trás de cada obra há estudo, técnica, pesquisa e trabalho árduo. No entanto, muitos artistas ainda lutam para serem reconhecidos como profissionais legítimos. Falta estrutura, regulamentação e respeito. A sociedade precisa abandonar a ideia do “artista inspirado” e enxergar o criador como agente cultural, empreendedor e trabalhador. Talvez este seja o momento de encarar a verdade: o sistema artístico sempre operou em zonas obscuras, onde o talento é celebrado, mas raramente sustentado. E essa fragilidade se revela até nas burocracias mais básicas: o artista plástico, por exemplo, não pode se registrar como MEI em sua profissão, simplesmente porque não existe um CNAE específico para sua atividade. É como se o Estado dissesse, silenciosamente, que essa profissão não existe. Valorizar a arte começa por valorizar quem a faz, com direitos, contratos, remuneração justa e espaço para crescer. E isso inclui reconhecer o artista como trabalhador formal, com acesso às mesmas ferram...

Retomar o fio: reativando o blog

Imagem
 Depois de um tempo em silêncio, volto a este espaço com o desejo de retomar o fio da escuta, da escrita e da partilha. O blog esteve adormecido, mas não ausente — como um caderno que repousa na estante, esperando o momento certo para ser aberto novamente. Reativar este espaço é também reativar uma parte do meu processo artístico: aquela que pensa, que escreve, que compartilha. Aqui, pretendo dividir reflexões sobre o fazer poético, fragmentos de pesquisa, imagens que me atravessam e relatos do cotidiano criativo. Neste momento, estou envolvida em um levantamento sobre o número de artistas plásticos em Curitiba — uma tentativa de mapear, compreender e visibilizar a cena local. Esse movimento também me inspira a pensar sobre presença, sobre redes, sobre como nos conectamos enquanto criadores. Aos poucos, este blog voltará a pulsar. Com textos curtos ou longos, com dúvidas e descobertas, com o ritmo que o tempo permitir. Que ele seja novamente um lugar de encontro.
Imagem
Dia de produção